Pesquisadores testam melatonina contra doença de Chagas

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17 de novembro de 2016

A melatonina, conhecida como hormônio do sono, consegue melhorar a resposta imunológica e diminuir inflamações. Por isso, seu uso na Doença de Chagas tem mostrado ação anti-inflamatória e protetora na fase crônica da infecção. Este é um dos mais recentes achados da equipe de pesquisadores do laboratório de parasitologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, liderada pelo professor José Clóvis do Prado Júnior.

Acreditam os especialistas que a melatonina também apresenta potencial antioxidante, pois foi observada uma diminuição do estresse oxidativo e controle do processo de morte celular. Os pesquisadores usam o hormônio sintético idêntico ao natural, que é produzido no cérebro humano pela glândula pineal, estrutura bem pequena localizada no centro do cérebro que secreta o hormônio durante a noite e o inibe pela manhã, com a luz do sol.

Há anos estudando os efeitos desse hormônio em animais infectados pelo parasita Trypanosoma cruzi, o grupo já havia demonstrado seu papel no potencial de resposta imune na fase aguda da doença. Os resultados dessa etapa de estudos mostraram que o hormônio induziu a redução da carga parasitária no sangue e nos tecidos infectados. Já o que observaram agora, mostra que a melatonina tem ação também na fase crônica da Doença de Chagas, algo considerado extremamente positivo, pois o único medicamento utilizado no Brasil, o Benzonidazol, “apresenta eficácia terapêutica limitada no tratamento de pacientes com infecção crônica”, lembra Prado Júnior.

Tratando os animais na fase crônica da Doença de Chagas com melatonina, a equipe da FCFRP conseguiu confirmar “as ações antioxidantes deste hormônio, reduzindo o estresse oxidativo e inflamação”. E ainda, continua Prado Júnior, “demonstramos outra característica importante da molécula de melatonina: sua capacidade de regular o processo de apoptose (morte) celular”.

Os estudos foram conduzidos até o momento em experimentos com animais (ratos Wistar) infectados pelo parasita. Vânia conta que administraram doses de melatonina sintética dissolvida em água por via oral aos animais. A pesquisadora lembra que ainda não existem relatos científicos de uso de melatonina para tratar a Doença de Chagas em humanos. O que está provado, afirma Vânia, é que esse hormônio sintetizado possui ação de indução do sono, principalmente em transtornos ocasionados por mudanças bruscas no fuso horário (jet lag) e trabalhadores com jornada noturna.

“Outras evidências demonstram que a melatonina pode ser um agente terapêutico importante contra o câncer, hipertensão e doenças neurodegenerativas”, conta a pesquisadora, adiantando que ainda não existem avaliações adequadas quanto ao uso da melatonina para tratar tais doenças.

Fontes do artigo

NOTA: Este artigo se baseia em pesquisas que incluíram as fontes citadas e a experiência coletiva de Lab Tests Online Conselho de Revisão Editorial. Este artigo é submetido a revisões periódicas do Conselho Editorial, e pode ser atualizado como resultado dessas revisões. Novas fontes citadas serão adicionadas à lista e distinguidas das fontes originais usadas.

Agência USP de Notícias